AS ORIGENS E A COMEMORAÇÃO DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES
- Diogenes Nascimento
- 4 de mar. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de nov. de 2023
O evento que tem sido mais lembrado é a morte de 140 pessoas, das quais 13 eram homens, 125 mulheres e 2 pessoas irreconhecíveis, funcionárias e funcionários da fábrica de roupas intimas. Fato que aconteceu no dia 25 de março de 1911 em Nova York.
Aqui vale resgatar na memória popular que esta data, 8 de março, não se firma apenas pelo fato trágico ocorrido em Nova York, até por que este evento fatídico foi um dos tantos eventos revolucionários que contribuíram para que hoje se mantivesse viva essa História de luta por mais dignidade e resistência no campo feminino.
É preciso rememorar que a luta por direito ao voto, por melhores condições de trabalho e por liberdade de expressão resiste a mais de 113 anos e segue sendo celebrada internacionalmente. Neste contexto é preciso destacar que a organização por meio de sindicatos, associações de classe, clubes de mulheres operárias, Partidos e Universidades tiveram uma participação primordial para que pudéssemos vivenciar essa data e estabelecer novas relações de trabalho e de direitos naturais e sociais às mulheres.
O número de grevistas, mulheres e homens, orçou, neste dia, por volta dos 90 mil. (...) Uma multidão de mulheres, nem todas operárias, dirigiu-se à Duma Municipal, pedindo pão. Era o mesmo que pedir água a uma pedra. Em outras partes da cidade foram desfraldadas bandeiras vermelhas cujas inscrições atestavam que os trabalhadores exigiam pão, mas que também não queriam mais a autocracia nem a guerra. O Dia da Mulher foi bem sucedido, cheio de entusiasmo e sem vítimas (A história da Revolução Russa, cap. 7)
As condições de trabalho das mulheres nas fábricas eram degradantes e sem nenhum direito trabalhista. A situação só começou a ser amenizada com as diversas greves que se intensificaram entre os anos de 1910 e 1930. Nos Estados Unidos a luta era pelo direito ao voto para o sexo feminino. Lutavam por melhores condições de trabalho e contra I Guerra Mundial. Na Alemanha, Suécia e Rússia essa data foi celebrada pela primeira vez no dia 8 de março de 1914. As mulheres conquistaram o direito ao aborto, igual salário por igual tipo de trabalho e licença maternidade remunerada.
Éramos movidas pela lembrança daquela grande manifestação das mulheres proletárias de Petrogrado pela paz e pela liberdade, que no 8 de março de 1917 dera início à Revolução Russa.
A primeira vez que se propôs o Dia Internacional da Mulher foi em 1910 na Dinamarca. O incêndio na fábrica têxtil de Nova Iorque no dia 25 de março de 1911 que culminou com 146 pessoas mortas, mesmo tendo os proprietários sido inocentados por um júri machista, levou mais de 100 mil pessoas as ruas mas, o local onde houve o incêndio agora funciona a Universidade de Nova York. O espaço foi ressignificado e mantém o elo de ligação entre o passado de luta e o presente indicando que é preciso resistir para que se garanta nossos direitos fundamentais á vida com dignidade.
O ano de 1909 acontecia nos EUA “o levante das 20 mil”. Era uma greve geral das trabalhadoras da indústria têxtil que durou 4 meses. Um ano antes as mulheres socialistas do EUA organizaram uma manifestação por melhores condições de trabalho e pelo direito ao voto. Este ato ficou conhecido como – O Dia da Mulher, reuniram aproximadamente duas mil mulheres. Em 1910, no II Congresso das Mulheres Socialistas realizado em Copenhagen, se promoveu a ideia de um dia para a realização de atos em defesa dos direitos das mulheres em âmbito internacional. Em 8 de março de 1917, durante a I Guerra Mundial, as mulheres russas tecelãs e familiares de soldados do exército tomaram as ruas de Petrogrado (hoje São Petersburgo), marcharam por “pão e paz”, reivindicando o fim da guerra, denunciando a fome que assolava o país e convocando o operariado russo a derrubar a monarquia. Convocando e batendo nas fábricas de porta em porta.
A data 8 de março passou a ser essa referência ao Dia Internacional da Mulher por uma decisão unificada tomada no Congresso da Terceira Internacional, realizado em Moscou, em 1921. Esta decisão teve por objetivo principal fazer memória a participação das mulheres na Revolução Russa. É preciso lembrar que se soma a greve das operárias têxteis e a revolta das mulheres com a escassez de alimentos na Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia, os protestos contra a I Guerra Mundial e a luta por direito ao voto nas eleições.
Durante muito tempo toda essa História foi esquecida, ás vezes substituída por uma festa ao Dia das Mães. O espírito capitalista buscava substituir toda uma história de luta e resistência das mulheres por uma festa de exaltação a maternidade.
Em 1975, a ONU resgata este legado do Dia Internacional da Mulher e estabelece como data mundial a ser seguida por várias Nações.

A maior taxa de feminicídio registrada em um único semestre no país
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou que a taxa de feminicídio no Brasil no primeiro semestre de 2022 foi de 699 assassinatos de mulheres, mais de 66 mil mulheres foram vítimas de estupro e mais de 230. 861 mulheres sofreram agressões físicas por violência doméstica. Quem matou? ex-companheiros representam 81,7% do total dos agressores e 14, 4% veio de outro tipo de parente.
A Lei do Feminicídio (13.104/15, a vítima é morta em decorrência de violência familiar ou doméstica) entrou em vigor, em 2015, e desde que começou a registrar esse número de casos registrados pela Segurança Pública tem aumentado 62,7%. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil ocupa hoje a 5ª colocação no ranking mundial de Feminicídio.
De acordo com dados do Mapa da Violência em 1980, 1.353 mulheres foram mortas no Brasil. Desde então o Brasil adotou o dia 10 de Outubro como Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Em 2021 a Paraíba registrou 28 tentativas de feminicídio e 32 casos consumados e 112 caos de homicídio envolvendo mulheres.
Esta não é uma data apenas para dar flores e chocolate, para dar parabéns ou mesmo um presente. É preciso celebrar e lutar pelo fim do feminicídio, da alienação parental, do assédio moral e sexual, pelo fim da cultura do estupro. Conheça mais sobre a História do 8 de Março.
Minha sugestão de leitura é o livro AS ORIGENS E A COMEMORAÇÃO DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, de Ana Isabel Álvarez González.
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