Padre Ibiapina. O Missionário da Caridade
- Diogenes Nascimento
- 4 de ago. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de nov. de 2023
Prof. Dr. Diógenes Nascimento

Meu primeiro contato com essa temática do Padre Ibiapina se deu por volta de 1998, naquela altura quando estava deixando a vida de seminarista e fui convidado para conhecer o Santuário de Santa Fé em Arara, na zona intermediária da Paraíba, foi uma visita breve, porém cheia de encantos e sonhos. Na época fazia parte do grupo Missionários da Fraternidade Cristã (MFRAC) e recebi um convite para ajudar na missão em Arara. De alguma forma as circunstâncias me conduziram para outros caminhos e alguns anos depois, o lançamento do Livro do Padre Ernando Teixeira – A quem interessa Bom Sucesso? nos reaproximou e assim fui novamente apresentado ao Pe. Ibiapina. Dessa vez era o lançamento do livro A Missão Ibiapina. Desde então tenho admirado esse sacerdote.
Há 140 anos do seu falecimento ainda se fala do Pe. Ibiapina. O que fez esse homem de tão relevante para ser lembrado, celebrado e rememorado por tanto tempo por milhares de pessoas?
Ele se tornou um ícone da religiosidade popular ao acolher em seus sermões e Casas de Caridade os sem sorte alguma, na certeza de serem agraciados pelas mãos que julgavam protetoras. A memória dos seus atos e personalidade perpassa o campo da religiosidade até atingir o território acadêmico. Muitos são os curiosos e pesquisadores a se debruçarem sobre o assunto. Diversas obras editoriais, dissertações, artigos, textos e resenhas versam sobre a vida e as obras do Padre Ibiapina. Sua influência vai além dos portões das Universidades do Nordeste, tendo sua imagem perene sendo constantemente resgatada e rememorada nas narrativas de moradores locais e, sobretudo, na devoção popular.
As desilusões com a intervenção dos coronéis na política local, com o magistrado e com a advocacia e ao presenciar tantas injustiças sociais levaram o padre Ibiapina a retirar-se de cena por três anos (1850-1853). Exerceu o sacerdócio aos 47 anos. Foi professor de eloquência sagrada, História Sagrada e reitor no Seminário de Olinda em 1854, durante seu primeiro ano de sacerdócio. Depois de ordenado sacerdote, atuou no Nordeste do país entre 1856 e 1876 construindo hospitais, açudes, casas de caridade, cemitérios e igrejas promovendo a dignidade e a valorização das experiências humanas nas províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Alagoas.
Suas obras de caridade favoreceu o surgimento de uma cultura religiosa de cunho popular capaz de garantir a sobrevivência de uma comunidade religiosa combativa as adversidades sociais e religiosas do seu tempo a ponto de torná-lo um indutor de uma práxis cristã católica no nordeste brasileiro, fomentado por meio dos seus sermões, máximas espirituais, obras missionárias e por uma prática catequética inserida nas reais necessidades do povo mais necessitado.
O processo de beatificação do missionário com vista a sua canonização teve início em 1991 por Dom Marcelo Pinto Carvalheira, foi nesse mesmo período que instituiu a Oração pela beatificação do Padre Ibiapina. O processo no Tribunal Diocesano da Causa foi concluído em 1993 e remetido ao tribunal da Causa dos Santos em Roma. No dia 22 de maio de 2016, Dom Francisco de Lucena, então bispo da Diocese de Guarabira-Pb, retoma a comunicação canônica com Roma que se encontrava parada desde 2011 devido a morte do último postulador da causa, o Monsenhor Francisco de Assis Pereira. De 21 a 30 de maio de 2016 o Santuário de Santa Fé (Arara, Paraíba) recebeu a visita do atual postulador da causa Ibiapina o Dr. Paolo Villota e do padre Paolo Lombardo e do padre Paolo Lombardo membros da Congregação para as causas dos Santos. Eles também participaram na verificação dos restos mortais de Inhá Chica, Irmã Dulce, Irmã Benigma e Irmão Victor. Nesta vista foi realizada a exumação dos restos mortais do padre Ibiapina, realizaram uma nova pesquisa nos documentos e colheram novos testemunhos que assegurassem o caráter de santidade do padre para que ele pudesse ser tido como Venerável pela Igreja Católica.

O título de Bem-Aventurado ou Beato constitui o terceiro passo. Para isto é exigido mostras de um milagre após a morte do Servo de Deus. Todas as provas são encaminhadas ao Tribunal das Causas dos Santos e se faz a exumação e traslado dos restos mortais, deixando-o em local de fácil acesso para visitação.Com a comprovação de um segundo milagre, tem início a quarta parte do processo – O Santo. O Papa convoca o Consistório Ordinário Público e informa a todos os cardeais da Igreja, marcando a data logo em seguida.
José Antônio de Maria Ibiapina nasceu no dia 05 de agosto de 1806 em povoado que hoje corresponde ao município de Sobral no Ceará, que se chama Ibiapina. Daí seu sobrenome Ibiapina. Já em 1855, na festa do dogma da Assunção de Nossa Senhora, ele trocou o sobrenome Pereira por Maria. Seus pais eram Francisco Miguel Pereira Ibiapina e Thereza Maria de Jesus. Faleu no dia 19 de fevereiro de 1883.

Desde 1997, data da primeira caminhada/romaria Caminhos de Ibiapina, O Santuário de Santa Fé do padre Ibiapina em Solânea a comunidade festeja seu nascimento e seu aniversário de morte. É uma tradição que este ano comemora 217 anos de seu nascimento.Em suma, o Padre Ibiapina se tornou uma figura incontornável da tradição religiosa em Santa Fé do Ibiapina. Sua história, repleta de elementos simbólicos e mitológicos, transcende o indivíduo e se enraíza no inconsciente coletivo. Seu legado perdura por meio da devoção e da memória, alimentando a tradição religiosa e mantendo viva a chama da fé.
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