O Legado do Padre Ibiapina em Mari: Um Convite à Fé e ao Serviço
- Diogenes Nascimento
- 21 de mar.
- 3 min de leitura

A entronização da imagem do Padre Ibiapina na PB-073, na cidade de Mari, representa muito mais do que um marco geográfico; é a celebração de um legado que permanece vivo no DNA do Nordeste. Trata-se de um convite à reflexão sobre os pilares que sustentaram a jornada deste homem: fé, educação e serviço.
Ibiapina não limitou sua missão ao altar. Em minhas pesquisas de mestrado e doutorado, tenho enfatizado que ele foi, acima de tudo, um mestre da civilidade. Defendo, em minhas teses, que o Padre enxergava na educação o único caminho genuíno para a liberdade e, na caridade praticada, a base inegociável para a dignidade humana.
Como bem definiu Celso Mariz em sua obra clássica, ele foi o verdadeiro Missionário do Nordeste. Ibiapina abdicou do prestígio da magistratura e do Direito para percorrer estradas de poeira, erguendo Casas de Caridade onde a assistência do Estado não chegava. Essa visão é corroborada por Ernando Teixeira de Carvalho, que nos recorda a figura do "apóstolo da caridade", cujo trabalho transcendeu o rito religioso para consolidar um pilar de transformação social em nossa região.
Ver este monumento em Mari é reafirmar que o compromisso com o próximo é atemporal. Que o exemplo de Ibiapina nos inspire a integrar, em nossas próprias trajetórias, a dedicação ao bem comum.
Baseado em minhas pesquisas de mestrado e doutorado, e dialogando com as obras de Ernando Teixeira de Carvalho, compartilho com vocês o significado de três símbolos fundamentais que acompanham o mestre Ibiapina:
1. A Flor de Lótus: Pureza em Tempos Difíceis
A flor de lótus é famosa por nascer no lodo e florescer impecável. Em minhas teses, defendo que Ibiapina foi o Lótus do Nordeste. Ele viveu em meio a crises políticas intensas e à miséria extrema, mas manteve sua ética e espírito inabaláveis. Ele nos ensina que é possível florescer e fazer o bem, mesmo quando o cenário ao redor parece desfavorável.
2. A Bíblia: Fé que se Transforma em Ação
Para Ibiapina, a fé não era algo para ficar guardado apenas nos templos. Como bem observa Ernando Teixeira de Carvalho, o Padre utilizava as Escrituras não para impor medo, mas para libertar pelo amor. A Bíblia era o seu manual de instruções para erguer as Casas de Caridade. Ela representa a Educação como ferramenta para abrir a mente e libertar a alma das amarras políticas e humanas.
3. A Cabaça: A Santidade que Caminha Junto
Este é o símbolo mais próximo da nossa identidade nordestina. A cabaça representa a simplicidade do peregrino. Em meus estudos, analiso a cabaça como o cálice do sertanejo. Ao carregá-la, Ibiapina deixava de lado a pompa de sua formação acadêmica em Direito para beber da mesma água que o povo sofrido. É o símbolo máximo do Serviço e da solidariedade.
Este reconhecimento, aliás, acaba de ganhar um capítulo histórico em Brasília. Graças ao projeto do Deputado Luiz Couto, que contou com a minha colaboração técnica e histórica, a Comissão de Cultura aprovou a inscrição do nome do Padre Ibiapina no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. É a justiça sendo feita a quem dedicou a vida ao povo.
Ao passar pela PB-073, convido você a contemplar essa história.
E que nos leve a se perguntar: qual legado estamos construindo para as futuras gerações?
Padre Ibiapina, inspirai-nos! 🙏✨
Por: Prof. Dr. Diógenes Nascimento
Leita texto original na Camara Federal: https://www.camara.leg.br/noticias/1255732-comissao-aprova-inscricao-do-nome-de-padre-ibiapina-no-livro-dos-herois-da-patria/





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